Lágrimas de Xerxes é um conto de Machado de Assis cujo título evoca um dos episódios mais comoventes da tradição clássica: o rei persa que, contemplando seu exército imenso, chorou ao pensar que em cem anos nenhum daqueles homens estaria vivo. É a deixa perfeita para o autor que fez da fragilidade humana o seu grande assunto.
Sob essa invocação antiga, Machado trabalha seus temas de sempre: a vaidade das grandezas, a passagem do tempo e a distância irônica entre o que os homens julgam ser e o que a morte fará deles.
O leitor encontra aqui a elegância característica do contista: a erudição usada com leveza, a frase límpida, a ironia que se insinua em vez de se anunciar. É uma peça breve da vasta produção que Machado espalhou pela imprensa de seu tempo — e uma amostra de como ele convertia qualquer referência, antiga ou moderna, em espelho para os leitores de todas as épocas.

