Lucrécias é um poema de Bruno Seabra, escritor paraense da geração romântica de meados do século XIX, lembrado pela graça leve com que tratava assuntos nacionais. Poeta lírico, romancista e folhetinista, Seabra fugia da solenidade dos contemporâneos: preferia o tom da conversa, o humor fino e a observação dos costumes.
O título, que evoca no plural a figura clássica de Lucrécia, símbolo romano da virtude feminina, já anuncia o espírito do poeta: olhar com malícia e ternura para os modelos ideais e confrontá-los com a vida como ela é. É o registro que fez a reputação do autor, mestre em flagrar tipos e cenas do Brasil de seu tempo.
Pouco lido hoje, Bruno Seabra foi estimado pelos críticos do século XIX justamente por essa voz singular, sem retórica inflada. Redescobrir Lucrécias é recuperar um tom raro no romantismo brasileiro: o da poesia que sorri.
