Resumo de O Dicionário
por Machado de Assis
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Resumo da obra
O conto se inscreve na vertente satírica de Machado de Assis, aquela em que a narrativa serve de vitrine para os vícios públicos e privados. Como anuncia o título, o fio condutor passa pelas palavras: o que elas prometem, o que disfarçam e a distância entre o dito e o feito. O narrador machadiano conduz o relato com fingida seriedade, tratando o assunto com a pompa cerimoniosa que a ironia exige. É o velho truque do autor: elogiar o que pretende demolir. A graça nasce justamente do contraste entre a forma solene e a pequenez das motivações que vão sendo expostas ao longo do caminho. Convenções sociais, ambições e vaidades comparecem traduzidas em fórmulas, como verbetes de um divertido e impiedoso dicionário do mundo. No percurso, o leitor reconhece tipos e situações de todos os tempos: a linguagem muda de século, os interesses não. A sátira envelheceu menos que muitos dos seus alvos. Machado evita a condenação direta; prefere que cada frase polida deixe entrever, por si mesma, o cálculo que a sustenta. O desfecho arremata a sátira sem alívio moralizante, à maneira do autor, devolvendo ao leitor a tarefa de tirar as conclusões. Fecha-se o texto e a suspeita permanece: os dicionários definem as palavras, mas quem define o uso que fazemos delas? A pergunta, como sempre em Machado, vale mais que qualquer resposta. Da leitura fica o gosto característico da ironia machadiana — o riso que, mal acaba, se converte em desconforto lúcido diante das nossas próprias frases feitas.
