O Dicionário é um conto de Machado de Assis em registro de sátira, no qual o autor exercita sua verve mais corrosiva. Como sugere o título, as palavras — seus usos, seus abusos e o que elas escondem — estão no centro do jogo, matéria-prima perfeita para um escritor que desconfiava profissionalmente de todos os discursos.
Machado pertence à linhagem dos moralistas que preferem o sorriso ao sermão: em vez de denunciar os vícios, deixa que eles se exponham pela própria linguagem, entre definições, convenções e retóricas de ocasião. É a política das palavras, e a palavra da política, que sua pena persegue aqui.
O leitor encontrará o método machadiano em estado puro: a frase curta e polida, a ironia embutida onde menos se espera, o narrador que finge concordar para melhor desmontar. É leitura breve, ideal para conhecer o lado satírico do autor — aquele que, rindo das palavras dos homens, ri do que os homens fazem com elas.

