Resumo de Um Tratado da Cozinha Portuguesa do Século XV
por Anônimo
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Resumo da obra
O tratado chegou até nós como um pequeno códice manuscrito, sem data nem assinatura, escrito na letra cursiva típica dos finais do século XV. A tradição o associa à infanta D. Maria de Portugal, que o teria levado consigo para a Itália ao se casar, razão pela qual o manuscrito repousa hoje em Nápoles. O receituário se organiza em cadernos temáticos: manjares de carnes, receitas de ovos, pratos de leite e um caderno final de conservas e doces de frutas. Na seção de carnes aparecem aves, carneiro e caça, temperados com cravo, canela, açafrão e gengibre, num gosto medieval que mistura sem cerimônia o doce e o salgado. Os pratos de ovos e de leite revelam uma doçaria em formação, com manjares delicados que atravessariam séculos na mesa portuguesa e, mais tarde, na brasileira. As conservas de frutas, com destaque para os doces de marmelo, mostram como o açúcar começava a transformar profundamente a cozinha ibérica. As instruções são diretas e por vezes vagas, com medidas a olho e gestos pressupostos, como convém a um caderno feito para quem já sabia cozinhar. A linguagem arcaica, cheia de grafias antigas, é parte do encanto e faz do texto também um documento precioso para a história da língua portuguesa. Percorrer suas páginas é reconstituir banquetes, despensas e fogões de um mundo que as grandes navegações estavam prestes a transformar. Ao final, fica a sensação deliciosa de ter espiado, por cima do ombro de um cozinheiro do século XV, a origem remota de sabores que ainda hoje reconhecemos.
