Resumo da obra

Resumo de A Desobediência Civil

por Henry David Thoreau

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Resumo da obra

Thoreau parte do lema de que o melhor governo é o que menos governa, e o leva mais longe: o melhor seria o que não governa de modo algum. O governo, diz, é no máximo um artifício conveniente, e a guerra contra o México mostra como poucos homens podem usá-lo como instrumento particular. Não foi o governo que povoou o oeste ou educou o país, e sim o caráter do povo. Mesmo assim, ele não se declara contra todo governo: quer um governo melhor.

O governo da maioria se sustenta porque ela é fisicamente mais forte, não porque seja justa. O cidadão não deve abrir mão da consciência. Soldados que marcham contra a própria vontade servem ao Estado como máquinas; legisladores e políticos servem com a cabeça; poucos servem com a consciência, e por isso resistem e são tratados como inimigos. Todos reconhecem o direito de revolução em 1775, observa Thoreau, mas não agora, quando um sexto da população é escravizada e um país vizinho é invadido. Contra o filósofo William Paley, que reduz a obediência a uma conta de conveniência, afirma que há casos em que é preciso fazer justiça a qualquer custo.

Ele critica os que se dizem contra a escravidão e a guerra e não fazem nada, e os que votam e esperam que a maioria resolva. Diante de leis injustas, se a lei exige que alguém seja agente de injustiça contra outro, é preciso transgredi-la: “Faça da sua vida um contra-atrito que pare a máquina”. Os abolicionistas deveriam retirar desde já o apoio pessoal e material ao governo de Massachusetts. O único contato direto do cidadão com o governo é o coletor de impostos, e é ali que se deve dizer não. Se mil homens deixassem de pagar os impostos, seria menos violento do que pagá-los; seria uma revolução pacífica. Quem tem propriedades tem mais a perder, e por isso resiste menos.

Thoreau conta que o Estado já quis cobrar-lhe uma quantia para sustentar um pregador e que ele declarou por escrito não pertencer a nenhuma sociedade à qual não tivesse aderido. Não paga o imposto per capita há seis anos e passou uma noite na cadeia por isso. Descreve as paredes grossas, que lhe pareceram um desperdício, o companheiro de cela acusado de queimar um celeiro, a sensação de ver a própria cidade de outro ângulo. Solto na manhã seguinte, porque alguém pagou o imposto, foi colher frutas silvestres num morro de onde não se via o Estado.

Diz que paga o imposto das estradas e que não recusa um item específico: quer negar lealdade ao Estado. Reconhece que procura um pretexto para obedecer e que, vista de baixo, a Constituição é boa. Critica o político Webster, o “Defensor da Constituição”, que aceita a escravidão por ser “parte do pacto original”. Termina dizendo que a autoridade do governo só é justa com o consentimento dos governados e imagina um Estado que trate o indivíduo como um vizinho, um Estado que diz nunca ter encontrado.

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