A Poesia Interminável é uma reunião de textos de João da Cruz e Sousa, o Cisne Negro, fundador e maior nome do simbolismo brasileiro. O título faz justiça ao autor: para Cruz e Sousa, a poesia era busca sem fim, perseguição do inefável através da música das palavras.
Filho de escravizados alforriados, nascido em Santa Catarina, o poeta enfrentou o racismo brutal do seu tempo e converteu dor em linguagem. Seus versos e poemas em prosa vibram de aliterações, brancuras, noites e visões — um vocabulário próprio, incandescente, que renovou a poesia em língua portuguesa.
Quem entra nesta obra encontra o simbolismo em estado puro: sugestão em vez de descrição, música em vez de discurso. E encontra também um dos destinos mais comoventes da nossa literatura, feito de genialidade, exclusão e teimosa fidelidade à arte.
