Crônica do viver baiano seiscentista: a cidade e seus pícaros – alguns passos discretos e tristes reúne um lado menos ruidoso da poesia de Gregório de Matos. Aqui o riso do Boca do Inferno abranda, e o que vem à frente é o registro grave: o desengano, a passagem do tempo, a melancolia de quem viu a cidade e a si mesmo pelo avesso.
O barroco viveu dessa dupla face, e Gregório a encarnou como poucos: o mesmo homem que demolia reputações em versos de escárnio escreveu meditações sombrias sobre a fragilidade de todas as coisas. Estes passos discretos e tristes percorrem esse território de sombra, onde a sátira cede lugar à confissão.
A leitura interessa a quem quer conhecer o poeta por inteiro, para além da fama de maldizente. Na contenção destes poemas há uma música própria, feita de quedas e silêncios, que ilumina por contraste todo o resto da obra e revela a inquietação profunda por trás do riso baiano.
