Resumo de Crônica do viver baiano seiscentista – cidade e seus pícaros – Brites
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Resumo da obra
Os poemas reunidos sob o nome de Brites integram o ciclo dos pícaros da cidade, o painel que Gregório de Matos armou da Salvador seiscentista, fixando em verso o cotidiano da capital colonial. Como em outros conjuntos do ciclo, uma figura feminina serve de eixo em torno do qual o poeta faz girar desejo, graça e zombaria, segundo um método que ele repetiu com variações inesgotáveis. O retrato se constrói aos poucos, por comparações e imagens que tanto enfeitam quanto desnudam a retratada. Gregório maneja o velho repertório do galanteio, flores, joias, astros, mas o torce com ironia, aproximando o idioma culto da fala das ruas. Há versos de sedução declarada, em que a insistência do poeta é ela própria matéria de humor, como se ele se observasse de fora enquanto corteja. Há também o contraponto satírico, quando o encanto cede lugar ao desengano e a musa desce do pedestal sem cerimônia. Nesse vaivém, o leitor percorre a paisagem humana da colônia: janelas, festas, mexericos, encontros vigiados por olhos que tudo anotavam. A cidade inteira participa do jogo, testemunha e cúmplice dos amores cantados e descantados. O conjunto vale como pequena educação sentimental barroca, em que amar e rir de amar são gestos inseparáveis, lição que o poeta aplica com evidente prazer. No fim, fica a impressão de uma voz espantosamente livre, que fez da vida miúda de Salvador matéria de poesia duradoura, com uma alegria que nenhuma censura conseguiu apagar.
