O Devanear do Céptico é um poema de Bernardo Guimarães em que o escritor mineiro, mais lembrado pelos romances regionais, mostra sua face de poeta meditativo. Como o título anuncia, trata-se do devaneio de um espírito descrente, que interroga a vida sem esperar respostas consoladoras.
O texto pertence à linhagem byroniana que marcou a geração romântica de Bernardo Guimarães: dúvida religiosa, desencanto com o mundo, ironia voltada contra as próprias ilusões. O tom oscila entre a melancolia e o sarcasmo, entre o impulso de crer e o prazer amargo de duvidar.
Para quem só conhece o autor de A Escrava Isaura, é uma surpresa: o Bernardo poeta é mais inquieto e mais moderno do que a fama sugere. Vale a leitura como documento de uma juventude romântica que fez da dúvida a própria matéria de poesia.

