O Dote é uma comédia de Artur Azevedo que põe no centro da cena uma instituição muito séria do Brasil oitocentista: o casamento como negócio. Nesta que é uma de suas peças mais ambiciosas, o mestre da burleta e da revista de ano quis fazer alta comédia — e provou que sabia.
O título anuncia o tema: em torno do dote de uma noiva armam-se cálculos, conveniências e pequenas traições que a peça expõe com um humor mais amargo que o habitual no autor. O riso continua presente, mas vem acompanhado de uma crítica nítida ao mercantilismo dos afetos.
Para o leitor de hoje, é talvez o Artur Azevedo mais interessante: o comediógrafo popular em diálogo com o teatro sério do seu tempo. A peça diverte, como tudo o que ele fez, e ainda deixa bastante o que pensar.

