Crônica do viver baiano seiscentista: a cidade e seus pícaros – a freira: ralo, roda e grade recolhe poemas de Gregório de Matos que rondam os conventos da Salvador do século XVII. Ralo, roda e grade eram os aparatos que separavam as religiosas do mundo, e é junto deles que estes versos se instalam, a meio caminho entre a devoção e o desejo.
O galanteio às freiras foi um dos costumes mais curiosos da sociedade colonial, e o Boca do Inferno o registrou com sua mistura habitual de lirismo e malícia. Nos poemas, a clausura vira cenário de um jogo de sedução feito de recados, suspiros e ironias trocadas através das grades.
É leitura que revela a face íntima da religiosidade barroca, na qual o sagrado e o profano viviam em vizinhança constante. Ao mesmo tempo, mostra o poeta em pleno domínio de seu instrumento, capaz de fazer do obstáculo, a grade que separa, a própria matéria do verso.
