Mateus e Mateusa é uma comédia de Qorpo Santo, o dramaturgo gaúcho que escreveu, em 1866, um teatro tão estranho para sua época que só foi compreendido um século depois. A peça acompanha um velho casal em guerra doméstica permanente, cujas discussões descarrilam a lógica comum e beiram o disparate puro.
Mateus e Mateusa brigam por tudo e por nada, com uma linguagem desconjuntada que antecipa, espantosamente, o teatro do absurdo que a Europa só inventaria no século XX. Em volta do casal, a família participa da contenda, e o que seria uma cena de costumes vira um pequeno pesadelo cômico sobre o casamento, a velhice e a impossibilidade de entendimento entre as pessoas.
Redescoberto nos anos 1960, Qorpo Santo passou de curiosidade provinciana a precursor genial. Ler esta peça é assistir ao nascimento fora de hora de um teatro moderno, escrito por um homem que sua época tratou como louco e a posteridade consagrou como visionário.
