Resumo de Noite de Almirante
por Machado de Assis
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Resumo da obra
Deolindo Venta-Grande, marujo, passa longos meses no mar alimentando uma certeza: Genoveva prometeu esperá-lo. A promessa, feita na despedida, foi o alimento de toda a viagem. Entre os companheiros de bordo, ele anuncia a noite de almirante que o aguarda em terra, noite de amor e desforra de todas as saudades. Desembarcado, atravessa a cidade ansioso, ensaiando o reencontro que imaginou mil vezes durante a viagem. Na casa de Genoveva, porém, a cena combinada não existe: a moça o recebe sem culpa e sem alvoroço. Não há cena, não há choro: há apenas uma conversa tranquila. Ela conta, com simplicidade, que agora gosta de José Diogo, um mascate, e que a promessa antiga simplesmente passou. Deolindo apela para a jura, para a saudade, para a ameaça; Genoveva responde com uma calma que desarma qualquer tragédia. A sinceridade dela é o achado do conto: não houve engano nem malícia, apenas o coração que mudou como muda o tempo. Não há vilania em Genoveva: há a franqueza terrível de quem não se sente culpada. O marujo parte ferido menos no amor que no orgulho, vagando pela noite que deveria ser de festa. O orgulho dói mais alto do que o coração, e é ele quem decide os passos seguintes. No dia seguinte, a bordo, ele responde aos companheiros que a noite de almirante aconteceu, e a mentira sela a história. Fica no leitor uma compaixão sorridente: Machado mostra que, entre a dor de perder e a vergonha de confessar, muita gente prefere salvar a fachada — ainda que a plateia seja o próprio espelho.
