O autor começa lembrando a primeira noite que voou na Argentina, quando cada luz no campo marcava uma casa. Depois volta a 1926, quando entra como jovem piloto de linha na companhia que levava o correio de Toulouse até Dakar. Os veteranos contam histórias de tempestades e de montanhas. Na noite antes do primeiro voo, Guillaumet abre um mapa da Espanha e lhe ensina os detalhes que salvam a vida de um piloto em pane, como um riacho escondido num campo ou três laranjeiras na beira de um terreno. Na madrugada seguinte, o ônibus leva os pilotos ao aeroporto e o autor parte com o correio.
No segundo capítulo, ele fala dos companheiros. Mermoz abriu a linha entre Casablanca e Dakar, atravessou os Andes e o Atlântico Sul de hidroavião, e um dia desapareceu no mar. Guillaumet caiu com o avião nos Andes, no inverno, e ninguém o encontrava. Depois de dias de busca, o autor o reencontra em Mendoza. Guillaumet tinha andado cinco dias e quatro noites pela neve, sem comida, obrigando-se a continuar porque, se o corpo não fosse encontrado, a morte legal só seria declarada depois de quatro anos e a mulher ficaria sem o seguro. A primeira coisa que disse foi que nenhum bicho teria feito o que ele fez.
Os capítulos seguintes são mais curtos. O avião aparece como uma ferramenta que aproxima o homem da terra. Numa pane, o autor pousa num planalto do Saara nunca pisado e recolhe pedras negras caídas do céu. Na Argentina, depois de outra pane, conhece duas moças que vivem numa casa antiga com bichos selvagens e que lhe parecem fadas.
Em Cabo Juby, o autor vive cercado pelas tribos dissidentes. Conta a viagem de três chefes mouros levados para conhecer a França, que, diante de uma cascata na Savoia, não conseguem sair do lugar, esperando que a água acabe. Conta também a história de Bark, um homem levado como escravo pelos mouros, que os pilotos ajudam a resgatar. Livre, Bark gasta o dinheiro comprando presentes para as crianças de Agadir antes de voltar para a família.
O sétimo capítulo narra o acidente de 1935. Durante uma tentativa de voo entre Paris e a Indochina, o autor e o mecânico Prévot batem à noite num planalto do deserto da Líbia. O avião fica destruído, mas os dois sobrevivem, com quase nada de água. Andam dias seguidos, veem miragens, voltam ao avião para fazer fogueiras de sinal, sentem a sede secar a voz e a pele. Quando já não conseguem quase andar, um beduíno os encontra e lhes dá de beber.
No último capítulo, o autor tenta dizer o que aprendeu. Lembra Guillaumet, os combatentes da guerra civil espanhola e o que dá sentido à vida de um homem. Termina numa viagem de trem, num vagão de terceira classe lotado de operários poloneses mandados de volta da França. No meio deles dorme uma criança de rosto bonito, e o autor pensa que em cada um daqueles homens houve um Mozart assassinado.



