Terra dos Homens é o livro de memórias de Antoine de Saint-Exupéry, publicado em 1939. Recebeu no mesmo ano o grande prêmio de romance da Academia Francesa, embora não seja um romance: são oito capítulos sobre os anos em que ele voou nas linhas de correio aéreo, sobre os companheiros que perdeu e sobre um acidente no deserto em que quase morreu. O livro é dedicado a Henri Guillaumet, um desses companheiros.
Do que trata Terra dos Homens
Os primeiros capítulos contam a entrada do autor na Linha, como ele a chama, a companhia que levava o correio de Toulouse para a África. Na véspera do primeiro voo, Guillaumet lhe ensina a geografia da Espanha que não está nos mapas: um campo com três laranjeiras, um riacho escondido no capim. Depois vêm os companheiros. Mermoz, que abriu as rotas do Atlântico Sul e desapareceu no mar. Guillaumet, que caiu com o avião nos Andes no inverno e andou durante dias pela neve para não morrer, e que ao ser encontrado disse que nenhum bicho teria feito o que ele fez.
Há capítulos mais curtos sobre o avião como ferramenta, sobre um planalto do Saara onde o autor recolhe meteoritos e sobre uma casa no interior da Argentina onde duas moças vivem com animais selvagens. Em Cabo Juby, entre as tribos que os franceses chamavam de dissidentes, ele conta a história de Bark, um homem escravizado que os pilotos ajudam a comprar a liberdade.
O capítulo mais longo é o do acidente de 1935. Num voo de Paris para a Indochina, o avião do autor e do mecânico Prévot cai à noite no deserto da Líbia. Sem água, os dois andam durante dias atrás de miragens até serem encontrados por um beduíno. O último capítulo, num trem cheio de operários poloneses expulsos da França, termina com a imagem de uma criança adormecida entre eles e a frase sobre “Mozart assassinado”.
Um livro sobre o ofício
O que liga os capítulos é a ideia de que o ofício cria laços entre os homens. Saint-Exupéry escreve sobre o trabalho, o risco e a amizade entre pilotos com uma precisão que não se encontra nos romances dele. Na minha opinião, é o melhor livro do autor para adultos, e as páginas sobre Guillaumet nos Andes e sobre a sede no deserto estão entre as mais fortes que ele escreveu.
O lado fraco são as reflexões finais, que às vezes viram sermão. Muitas ideias de O Pequeno Príncipe aparecem aqui primeiro: o poço no deserto, o feneco, a pequena raposa do deserto, e o piloto perdido na areia. Quem leu Voo Noturno e Correio do Sul vai reconhecer as escalas, os mouros e os telegramas, agora contados sem ficção.
Sobre esta edição
É uma tradução nova, feita por Livros Domínio Público a partir do texto francês, com a dedicatória, a introdução e os oito capítulos. São 133 páginas em PDF, também disponíveis em EPUB. Saint-Exupéry morreu em 1944; no Brasil, a obra está em domínio público desde 2015.







